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‘Cheiros do Pará’: marcas de perfumarias paraenses inovam com as essências amazônicas

Público pode encontrar diversos cheiros, óleos e fragrâncias nos estandes, com um toque amazônico
Por Da Redação
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O Pará pode ser considerado um território extremamente olfativo. Afinal, o estado é conhecido pelos famosos “cheiros do Pará”, produzidos a partir de insumos regionais que dão origem a fragrâncias, coleções de perfumes e óleos para perfumar o corpo e os ambientes, com aromas que remetem à região. Na 14ª Feira de Artesanato do Círio (FAC), muitas perfumarias levaram as essências amazônicas.

Ana Carolina Muccari, CEO da marca Tropicália Eco, apresentou a novidade do perfume sólido em seu estande, o de número 37. “Ele é um bálsamo aromático em que a gente utiliza a riqueza genética e sensorial da Amazônia, a partir das manteigas de cupuaçu, tucumã e murumuru, que são palmeiras nobres da nossa biodiversidade. E a ideia desses bálsamos não é só a perfumação, mas também a hidratação”, conta a empreendedora, que informou inspiração na perfumaria francesa, país onde morou por algum tempo.

Desde 2022, Carolina vem aperfeiçoando o negócio, embora suas raízes estejam ligadas à avó, que tinha uma barraca no Mercado do Ver-o-Peso. Ao longo dos anos, inovações nas combinações e capacitações do Sebrae, abriram caminhos para FAC. “Eu fiquei nesse acompanhamento com o Sebrae por um ano, entendendo sobre estratégia, comunicação, posicionamento, sobre como apresentar melhor o meu produto, sobre o que eu iria trazer para a bancada, como estrategicamente eu ia posicionar”, ressaltou.

Geradores de fragrâncias da Amazônia

Pedro Silva, da marca Raiz do Patchouli, conta que uma das essências mais famosas do Pará é extraída de uma raiz proveniente de Abaetetuba, em um sítio da família. De lá vem o óleo usado na produção de “esculturas aromáticas”: anjos, árvores de Natal, bolinhas e sachês para colocar no guarda-roupa. “Tudo artesanal, feito à mão: começou com meu avô, aí foi para minha mãe, e hoje eu estou à frente”, contou sobre a história do negócio que, segundo Pedro, já tem mais de 80 anos.

A marca também trabalha com essências para perfumaria, como patchouli, priprioca, pau-d’Angola. Utiliza aromas de breu-branco, capim-limão e pau-rosa na produção de velas, colônias, fragrâncias para difusores e sabonetes.

Cheiros e fragrâncias paraenses fazem sucesso entre o público. Foto: Relry Aviz.

Francisca Vasconcelos, mora atualmente em São Paulo e diz que os aromas paraenses que utiliza chamam a atenção na cidade. Ela parou para comprar algumas essências e levar para uma amiga da capital paulista. “Não existe no planeta um lugar que tenha a perfumaria amazônida. Os nossos cheiros, as nossas essências são carregadas de sabedoria, ancestralidade e folclore”, observa a terapeuta.

Matéria-prima que vira cosmético

A empresa Sementes da Amazônia, com mais de 15 anos de mercado em Belém, ofereceu ao público da FAC óleos vegetais 100% puros, com essências de açaí, pracaxi, copaíba, andiroba e castanha, entre outras. Os óleos da marca são envasados em embalagens de vidro, o que, segundo a empreendedora Med Portela, ajuda a manter a qualidade e a essência deles. A atividade envolve uma cadeia produtiva que vai de Acará a Uruará.

“Nós temos a grata satisfação de dizer que meu produto é 100% puro, do jeitinho que sai: a gente espreme, coa e coloca no vidro”, afirmou Med, que contou que parte do público que procurou a empresa na feira chegou por meio da sua loja virtual e dos conteúdos publicados no Instagram.

Aromas e mudanças

A Luna Amazônia, marca da empresária Victoria Machado, ofereceu sachês aromáticos, difusores, home sprays e velas aromáticas, com essências como alecrim, sândalo e laranja-doce. Desde 2022, a marca passou por mudanças até se concentrar em ingredientes e matérias-primas da região, com produtos voltados para a perfumaria. “A FAC é para mim o evento do ano. Achei esta a melhor de todas as edições. A gente precisa se preparar muito para estar aqui, e isso gera um legado para o empreendedor”, ressaltou Victoria.

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