Para empreendedores do setor de alimentação e bebidas do Pará, o Círio de Nazaré representa a abertura de muitas oportunidades de negócios. O estado tem uma rica cultura gastronômica representada por pratos clássicos temperados com muita história e insumos regionais de sabores únicos. Muitos turistas veem na co2mida um dos atrativos para conhecer o estado. E paraenses têm a chance de redescobrir suas próprias raízes. Atender a esses públicos, como estima levantamento do Sebrae no Pará, pode resultar num aumento médio de 30% no faturamento.
Nayany da Costa, analista técnica do Sebrae/PA e gestora estadual do programa Prepara Gastronomia, ressalta que o Círio traz aumento de demanda, mas que vai muito além dos pratos tradicionais. Turistas buscam experiências e produtos que tenham identidade paraense. O público do estado quer resgatar o afeto com as comidas tradicionais da festividade. Isso abre espaço para restaurantes, lanchonetes, confeiteiros, produtores de alimentos, vendedores de rua e pequenos empreendedores. Mas nem só de pato no tucupi e maniçoba, vive a gastronomia do Pará. Há sobremesas, doces, salgados, panificação, produtos regionais e até itens que o turista possa levar como lembrança. É nessa diversidade que cabe a inovação.
“Para o empreendedor, o mais importante é entender que não se trata apenas de vender mais durante alguns dias. É uma oportunidade para apresentar seu produto, conquistar novos clientes e criar uma relação que pode continuar depois do Círio, mas criatividade precisa caminhar junto com planejamento. O empreendedor precisa conhecer seu público – que não é só o turista -, definir bem o seu produto, calcular corretamente os custos e o preço de venda, organizar estoque e produção e, principalmente, garantir qualidade e segurança naquilo que está oferecendo. Também é importante pensar na apresentação”, observa Nayany.

Experiência gastronômica
Bia Fernandes, empreendedora da marca Bia Biscoitos Decorados (@biabiscoitosdecorados no Instagram e estande 148 da Feira de Artesanato do Círio), é uma das empresárias que absorveu a orientação do Sebrae/PA de investir em produções especializadas para o Círio. Ela capricha na apresentação temática dos produtos, mas sabe que se trata de um boom sazonal de faturamento. O segundo semestre costuma ser uma época de alto rendimento, condicionado a muito planejamento. Enquanto uma parte da equipe de 12 pessoas está na FAC (pela segunda vez), outra ficou na fábrica e na loja. A realidade já é muito diferente do começo da jornada empreendedora.
“Temos coleções de produtos no Círio, que para nós é um ótimo período de vendas, e contamos com a ilustradora paraense Júlia Leão para elaboração dos rótulos e embalagens, que valorizam nossa cultura. Neste ano, as embalagens dos nossos biscoitos decorados trazem um pouco da história de Maria e o tema do Círio deste ano. Além da receita autoral de biscoitos amanteigados, nossos sabores seguem uma linha regional: Monteiro Lopes, carimbó, casadinho, cupuaçu e castanha”, conta Bia.
Nayany reforça que o Sebrae/PA orienta que o empreendedor não enxergue o Círio apenas como uma oportunidade de venda, mas como uma jornada de preparação, realização e continuidade do negócio. Entre as soluções trabalhadas pela instituição estão consultorias, capacitações e ações voltadas à gestão, custos, formação de preço, boas práticas, desenvolvimento de produtos, marketing, vendas e melhoria da experiência do cliente. O Prepara Gastronomia foi estruturado justamente para apoiar os pequenos negócios de alimentação na melhoria da administração, produtividade e resultados.
“O alimento também pode ser uma forma de levar um pouco da experiência do Pará para outras pessoas. Nesse sentido, a FAC pode aproximar o empreendedor de novos consumidores e também de empresas e compradores que podem gerar negócios depois da feira”, conclui.

