Mães de crianças neurodivergentes, mulheres de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, pacientes oncológicas e mulheres privadas de liberdade. A presença delas na 14ª Feira de Artesanato do Círio (FAC) evidencia que o empreendedorismo vai além das vendas e do lucro: representa a valorização das histórias por trás de cada trabalho, que tece, costura, imprime e produz, mesmo diante das demandas da maternidade, dos cuidados com a família ou dos desafios da vida.
A empreendedora Karla Lucena, da marca Di Lucena Ateliê Criativo, faz parte do grupo de empreendedorismo inclusivo do Sebrae/PA, que oferece capacitações para o aperfeiçoamento dos negócios. Pelo segundo ano na FAC, Karla conta que a feira é o “Natal” das empresárias. No estande, 14 mães expõem diversos tipos de produtos, como roupas, materiais para crianças neurodivergentes e artesanato em geral.
“Essa é uma oportunidade única. Muitos clientes se identificam com a gente, trocam contatos nas redes sociais. Muitas são mães de crianças neurodivergentes, e mães empreendedoras. A gente também está sendo vitrine para elas”, pontua Karla. Com 15 anos de empreendedorismo, Karla conta que, com o nascimento do filho e o diagnóstico aos dois anos com Transtorno do Espectro Autista, o empreendedorismo passou a ser a melhor opção para garantir a renda de casa.

“Quando estava grávida do meu filho, eu mesma comecei na encadernação, na pandemia. Eu já trabalhava com papelaria personalizada. Tive que mudar todo o meu negócio. Diante do diagnóstico do meu filho, entrei com a sublimação. Faço tudo voltado para isso: camisas, bonés, sandálias, azulejos”, conta. A empreendedora também disse que, para complementar a renda e ajudar a custear as terapias e o transporte de seu filho, mantém uma marca de produtos alimentícios.
A analista técnica do Sebrae/PA, Vera Rodrigues, responsável pelo projeto com as mães, explica que o Sebrae prepara as empreendedoras há dois anos. “O Sebrae trabalhou arduamente para desenvolver os produtos delas, viabilizando como fazer a gestão dos negócios, como precificar e vender. O fato de elas estarem na feira é o principal resultado desse projeto: fazer com que consigam uma renda para sustentar a si mesmas e a seus filhos, pois muitas são mães solo. São vários os resultados!”, destaca.
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Grande oportunidade
Da iIlha de Cotijuba, a empreendedora Danielle Conceição, integrante do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), conta que este é o primeiro ano de participação na FAC e classifica a experiência como uma grande oportunidade. Junto com ela, mais de dez mulheres da ilha mantêm uma loja colaborativa e trouxeram artigos como pulseiras e brincos feitos de sementes. “Estar aqui é uma experiência muito importante. O artesanato entrou como uma renda a mais na família. É um trabalho que tu faz na tua casa, junto dos teus filhos, com teu esposo, mas isso também fortalece a tua autonomia e gera a própria renda”, reforça Danielle.
Kelly Souza visitou a FAC ao lado do marido na noite desta terça-feira (13) e destacou a importância do artesanato. “ É um trabalho em que a gente vê a dedicação de separar pedrinhas, folhas e sementes. É um trabalho que tem que ser valorizado, por ser manual, pois elas reúnem e combinam peça com peça. Então, acho mais coerente a gente, mulher, valorizar o trabalho de outras mulheres”, conclui.

