A 14ª Feira de Artesanato do Círio (FAC) encerra nesta quarta-feira (14), com saldo positivo para os empreendedores, muitos dos quais já venderam quase todo o estoque. Diante da alta demanda, alguns precisaram reforçar a produção para atender aos clientes e aproveitar o intenso movimento de vendas. E, a partir de quinta-feira (15), a rotina de trabalho continua: os sete dias de feira não renderam apenas bons resultados imediatos, mas também abriram portas para novos negócios, com a fidelização de clientes e a chegada de encomendas por diferentes canais, incluindo as redes sociais.
Para o artesão Ivan Barros, expositor do estande 27 da FAC, quase nada restou das 150 peças que preparou para a feira. Especializado na técnica de pirogravura, que consiste em desenhar sobre superfícies por meio da queima controlada, ele afirma ser um dos poucos artesãos brasileiros a trabalhar com essa técnica. Com uma produção que inclui remos, quadros, esculturas e móveis, Ivan fechou negócios desde o primeiro dia do evento.
“Além de já ter vendido praticamente todo o meu estoque, incluindo as peças mais caras e de maior porte, recebi cerca de 100 encomendas e fechei três contratos. E olha que a feira ainda nem acabou. A FAC é uma vitrine muito importante, e já faturei o que receberia em quatro meses. Isso sem contar o faturamento futuro com os outros negócios que fechei. Tenho trabalho, no mínimo, até janeiro de 2027”, conta Ivan, que participa da FAC desde a primeira edição.
Em sua segunda participação na feira, Lourdes Vasconcelos, empreendedora à frente da marca Geleias da Lulu, também comemora os resultados positivos, após esgotar diversos sabores. Além das vendas, ela reencontrou uma cliente russa que conheceu em sua primeira participação na FAC.

“Os sabores de manga e bacuri já acabaram. Consegui repor os de cupuaçu com castanha, açaí e morango sem açúcar. Eu tinha preparado 187 unidades e já precisei produzir mais. Também recebi encomendas e conquistei novos clientes fixos de Brasília e do Rio de Janeiro, que conheci durante a COP30. É importante fazer contatos e agradar aos clientes, porque eles voltam”, destaca.
Parcerias e conexões impulsionam novos negócios
A Palha Amazônica, representada por Gessyca Quadros, voltou à FAC nesta edição, com produtos no estande 156. A marca levou mais de mil unidades de doces que reinterpretam regionalmente a tradicional palha italiana. Com menos de 30% do estoque inicial ainda disponível nos dois últimos dias da feira, o negócio precisou reforçar a produção para atender à demanda.
“Preparamos inicialmente 800 unidades, bem mais do que na edição anterior. Como os produtos começaram a faltar, trouxe mais cerca de 200. Já recebemos encomendas e podemos dizer que, no primeiro dia, recuperamos o investimento e, no segundo, já garantimos a remuneração. Agora, estamos trabalhando apenas com faturamento”, avalia Gessyca.
A atuação da Palha Amazônica também se conecta à de outro empreendimento participante da FAC: a Bada Chocolates, fornecedora de chocolates e nibs de cacau. Para Gessyca, a feira favorece a criação de parcerias e fortalece a rede de empreendedores locais.
“Esse networking que uma feira como essa proporciona é muito importante, porque fazemos conexões e negócios com outros empreendedores e crescemos juntos. Acreditamos nessa rede que pode se formar, gerando oportunidades para todos”, completa.
Fernanda Sahaba, da Bada Chocolates, também destaca os resultados comerciais e as oportunidades de parceria proporcionadas pela feira. A marca, que conquistou o primeiro lugar no Festival Chocolat Xingu de 2025 e o terceiro lugar na edição de 2026, vendeu cerca de 40% do estoque, composto por mais de 1,6 mil unidades de produtos, entre bombons e barras.
Para além das vendas diretas, a participação na FAC possibilitou a formalização de parcerias com outros dois empreendimentos presentes no evento, além de contatos com turistas interessados em realizar encomendas.
“Também tivemos turistas que pegaram nosso contato para fazer encomendas. É nosso primeiro ano na FAC, uma feira tão intensa, realizada no período do maior evento do estado, que é o Círio. Mas, certamente, valeu o investimento, que já foi recuperado com as vendas e os negócios fechados”, finaliza Fernanda.

