A vaidade masculina movimenta um mercado lucrativo e com muitas oportunidades. Homem que não gosta de se cuidar, de seguir tendências da moda para se arrumar e nem estar cheiroso é coisa do passado. Na 14ª Feira de Artesanato do Círio (FAC), empreendedores confirmam que atender ao público masculino tem bom rendimento, sobretudo no mercado de confecções, perfumaria e acessórios.
Ainda que alguns tabus estejam sendo quebrados, como homens evitando usar certas cores por não considerarem “coisa de macho”, os produtos mais procurados ainda são com cores mais neutras, terrosas ou preto e branco. As joias e acessórios possuem designs mais rústicos. Os perfumes precisam ser mais fortes e com pouca doçura. O que chama atenção dos empreendedores que lidam com esse mercado é que os clientes não economizam.
Nas primeiras vezes que participou da FAC, Selma Montenegro, da marca Montenegro’s (estande 123), não trazia muitas joias e acessórios masculinos. Agora, na quarta edição da feira, diz que não pode deixar de pensar nesse público. “Eles batem o olho e já sabem o que querem. Não querem nem embalagem, muitas vezes nem perguntam o preço e até saem usando. Os tempos mudaram muito. E não tem mais isso de não usar determinada cor ou de não usar determinado modelo por considerar feminino”, disse, mostrando braceletes, colares e terços de vendas constantes.

Os acessórios e joias fazem diferença, mas Giselle do Carmo, da Perfumaria Orion, no estande 101 da FAC, afirma que homens diferenciados são cheirosos. Tanto que há homens fiéis à marca criada em 1931 e focada em fragrâncias regionais. “Aqui, homem que não se cuida é mito. Homens gostam de perfumes, mas usam fragrâncias mais herbais, fortes e frescas, como o nosso perfume ‘Selvagem’. E gostam de cheiros marcantes, como o ‘Feitiço Amazônico’. Mas o nosso patchouli é campeão de vendas. Para nós, as vendas para homens na FAC têm sido muito boas e até vendemos para um francês, que tal?”, comenta.
Fátima Silveira, da Associação de Moda Marajoara e Artesanato (Ammar) e apoiada pelo projeto Sustenta & Inova do Sebrae no Pará, financiado pela União Europeia, diz que o perfil da moda masculina vem mudando. Homens gostam de seguir tendências e, no Pará, grafismos ancestrais e estampas coloridas se tornaram moda desde a COP30.
“Os preconceitos estão caindo e os gostos estão se tornando mais amplos e modernos, mas os traços fortes, cores escuras e visual mais rústico chamam a atenção do público masculino. Por isso a camisaria regional faz sucesso com peças como as que usam grafismo marajoara e a camisa do vaqueiro, que também tem grafismos e que remete ao tempo dos homens escravizados, que faziam as roupas com sacos de cana-de-açúcar”, finaliza Fátima.

