Faixas com mensagens de aparelhagens, que antes seriam descartadas, deram origem a pochetes e ecobags com uma estética descolada, capazes de compor looks esportivos, casuais e até vestuário relacionado à moda praia. As bolsas foram criadas pelo artesão Aleson Ferreira, da marca O Ferreira, e estão expostas nas prateleiras do estande colaborativo de duas organizações de Muaná, na Ilha do Marajó: a Cooperativa Agroextrativista de Marajó (Copimar) e a Associação Flor de Marajó (Flomar).
O produto ecologicamente correto é mais uma novidade da 14ª edição da Feira de Artesanato do Círio (FAC). O que antes era desperdiçado começou, nesta semana, a se transformar em um item diferenciado para uso no dia a dia. As faixas vêm da produção de dois tios do artesão, que trabalham na confecção desse material.
As pochetes e as bolsas têm durabilidade limitada. Por isso, após um estudo técnico, receberam um forro mais resistente, de jeans, além de aviamentos coloridos que ajudam a dar um toque exclusivo a cada peça.
“É a primeira vez que eu estou expondo esse tipo de produto aqui e o retorno financeiro e o reconhecimento dos clientes estão sendo bem bons. Porque cada produto é um produto único, porque a gente não consegue aproveitar a faixa da mesma maneira para todas as pochetes, ou seja, cada pochete vai ter uma assinatura de cor e de letra diferente, a depender de como é que ela vai ser montada”, pontua o artesão.
Ferreira explicou que a pochete se tornou o destaque de vendas até o momento. Outra opção é a ecobag tradicional, com tamanho padrão de 60 cm por 40 cm e alça de algodão.

Diante da boa repercussão, Aleson já começou a considerar novas possibilidades. “Pela grande aceitação e a procura do público, eu acredito que seria uma boa a gente já começar a pensar em novas peças, como mochilas ou bolsas masculinas e femininas, para ver como é que vai se comportar”, refletiu.
Os preços variam de R$ 90, para a ecobag, a R$ 115, para as pochetes. As peças são feitas com material reaproveitado combinado a outros materiais adquiridos, como os aviamentos.
Sobre as associações
A Flomar é uma associação de mulheres e homens que trabalham com o beneficiamento de diversas sementes e com artesanato em Muaná.
“Eles fazem a coleta tanto de sementes quanto de fibras da Amazônia, como palha da costa, que é tirada do miriti coqueiro e afins, e constroem peças de souvenir ou peças utilitárias do dia a dia, como pano de prato, sousplat, conjunto de cozinha e objetos de decoração, para poder escoar essa matéria-prima regional em forma de produto e gerar renda para essa associação”, explicou Ferreira.
Já a Copimar é uma associação que trabalha com beneficiamento e agroextrativismo de óleos e essências regionais, com foco específico no açaí e no cacau.

