A 14ª Feira de Artesanato do Círio é a edição mais acessível, diversa e inclusiva do evento. Pessoas com alguma deficiência (visual, auditiva ou motora), com mobilidade reduzida (obesos, gestantes, idosos, cadeirantes) ou neurodivergências (TDAH ou TEA) podem contar com o Espaço de Acolhimento e Inclusão. Lá, vão encontrar uma equipe preparada para garantir que qualquer pessoa possa aproveitar o que a FAC tem de melhor. Toda a estrutura foi pensada para garantir autonomia e segurança a diferentes públicos, com várias adaptações.
Alexandre Alves, coordenador do Comitê Sebrae de Diversidade e Inclusão, assegura que a 14ª FAC é um divisor de águas, capaz de mudar o olhar sobre diferentes grupos sub-representados ao se propor a ser um grande evento inclusivo e diverso. Dessa forma, o público da feira também pode ser muito maior e garantir mais oportunidades aos empreendedores de artesanato, biocosméticos e alimentação de fazer negócios.
Na entrada da FAC, há um profissional que, se identificar qualquer condição que possa necessitar de suporte, vai encaminhar o visitante para o Espaço de Acolhimento e Inclusão. Pessoas com deficiência visual poderão contar com guias videntes, que vão acompanhar o visitante e descrever o ambiente. Se necessário, há cadeiras de rodas e acompanhantes. Para idosos, há móveis confortáveis para descansar se quiserem. Para crianças neurodivergentes há abafadores de ruídos e brinquedos táteis sensoriais antiestresse.
“A FAC é um ambiente com muitos estímulos, muita informação, muitos volumes, várias pessoas e experiências. Então criamos esse espaço para acolher com afeto todos os públicos e atendê-los da melhor forma possível. Temos também intérpretes de libras nos shows e banheiros adaptados e acessíveis. Seguimos com a humildade e compromisso de aprender e ter mais sensibilidade para diferentes demandas”, diz Alexandre Alves.

O artista visual, historiador, professor e fotógrafo Matheus Sousa, foi contratado pelo Sebrae/PA como consultor de acessibilidade e acolhimento. Como uma pessoa que convive com a paralisia cerebral, tem um extenso histórico de luta contra o capacitismo. No Espaço de Acolhimento e Inclusão, também é possível conversar com ele e falar sobre o anticapacitismo.
“Meu principal norte é transformar espaços para que as pessoas com deficiência tenham o protagonismo delas de vivência, que elas possam vir e aproveitar e não se sentir privadas desses espaços e eventos, como ocorre. O convívio com é transformador. O que faz com que nosso trabalho seja eficaz é o afeto. Receber pessoas com brilho nos olhos é o diferencial da FAC para ser plural, dando dignidade e respeito”, comenta Matheus.
Visitantes e expositores aprovam iniciativas
Isabel Melo é uma das expositoras da FAC e faz parte do projeto Empreendedorismo Inclusivo do Sebrae/PA. Ela é mãe do João Victor, de 19 anos, pessoa com autismo nível 2. A história dela como empresária está ligada ao fato de ser uma mãe atípica. Ela vende produtos pedagógicos adaptados na loja Bel Adapt (@bel_adapt no Instagram).
“Conheci o espaço e fiquei muito feliz em saber que o Sebrae está se preocupando em atender todas as pessoas e receber aqui na FAC. O João Victor, mesmo com o som do show, colocou os fones abafadores e ficou tranquilo desenhando e colorindo. E tem acolhimento para todos os públicos”, opina Isabel.
Vindas do Espírito Santo para passar o Círio, as irmãs Eduarda e Rafaela Sarte Magnago conheceram a FAC e ficaram felizes em descobrir que a feira é acessível com várias adaptações e recursos. “Nem imaginávamos que teríamos esse tipo de apoio. Fomos recebidas na porta e levadas ao espaço de acolhimento e pudemos pegar uma cadeira de rodas. Importante demais ter esse tipo de preocupação com os visitantes”, comentaram.

