A união entre ciência, inovação e valorização da floresta podem ser um grande impulsionador para novos modelos de negócio na Amazônia. No Pará, a empreendedora Yasmin Cantuária, de 31 anos, transformou conhecimento técnico e visão estratégica em oportunidade de mercado.
Engenheira de bioprocessos e mestra em biotecnologia, Yasmin atuava com fermentação e qualidade de processos aplicados a alimentos antes de iniciar a trajetória no empreendedorismo. Estar perto do meio de produção do cacau alertou para uma problemática, grande parte do valor das produções era gerado fora da Amazônia.
Segundo a empreendedora, a decisão de criar a marca surgiu da possibilidade de fazer diferente, desenvolvendo um produto premium, com identidade amazônica e impacto direto na origem. “Criar um produto de alto valor agregado, com tecnologia, qualidade e identidade amazônica, mas mantendo o impacto direto na origem”, afirma.
Assim a Barcalat entrou no mercado de chocolates amazônicos, voltada diretamente para a produção sustentável e de alto valor agregado. Porém, nem tudo começou dando certo, já que os principais desafios estiveram relacionados à estruturação do negócio e à credibilidade da marca. Mas, aos poucos, o negócio foi sendo fortalecido e conquistando clientes.
“A Barcalat é uma marca incrível e de muita qualidade. Consumir um chocolate saboroso, com origem familiar, sem adição de produtos de origem animal e ainda com responsabilidade social com a comunidade é maravilhoso”, ressalta Jamille Barros, cliente da marca.
Contar com ajuda especializada foi decisivo para a empresa se firmar no mercado. “O apoio do Sebrae contribuiu para o amadurecimento da empresa, tendo um papel importante principalmente na estruturação do negócio, capacitação e acesso a oportunidades. Programas, mentorias e conexões ajudaram a amadurecer a visão estratégica da empresa”, relembra Yasmin.

Confiança e crescimento
Uma das marcas da Barcalat é a aposta em inovação de forma continuada, como investimento no processo de produção e variedade dos chocolates, utilizando formulações limpas, foco na pureza do cacau e ingredientes conectados à floresta, além do trabalho direto com produtores e sistemas agroflorestais.
Atualmente, entre os produtos ofertados pela empresa estão barras de chocolate, jambu, cupuaçu e jambu com priprioca, além de barras de 70% e 80% cacau nativo da floresta.
Para Yasmin, respeitar os recursos naturais deixou de ser apenas um diferencial competitivo, passando a ser uma exigência do mercado. “No caso da Amazônia, existe uma oportunidade clara de gerar valor mantendo a floresta em pé. Quando isso é bem feito, você não só preserva, mas também constrói um modelo de negócio mais resiliente e competitivo no longo prazo.”, finaliza.
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