
Alexandre Paulemy, artesão do município de Oeiras do Pará, transforma material descartado em matéria-prima de instrumentos musicais. As peças são inspiradas na cultura afro-indígena e fazem sucesso na Feira e Artesanato do Círio (FAC), evento realizado pelo Sebrae no Pará.
A atividade desenvolvida por Alexandre representa uma alternativa ecologicamente correta para a geração de renda a partir de materiais que seriam descartados, dando utilidade ao que se tornaria lixo. São restos de madeira, tronco, bambu, ouriço de castanha, palha e sementes, todos coletados diretamente na natureza. “A coleta e o armazenamento são feitos de forma bem delicada”, explica Alexandre.
Desse material, nascem tambores chocalho, o pau de chuva, agogôs, tambores e o apito da mata – carro-chefe do trabalho. “O apito da mata é um instrumento que imita o som dos pássaros e faz muito sucesso na FAC, evento muito aguardada pelo artesão.
“A FAC sempre nos proporciona algo de bom, tenho esta feira como uma vitrine para nossos produtos. Ela acontece em um momento importante para nossa região, o Círio, e nesta retomada esperamos conquistar novos clientes”, frisa o artesão, que participará pela quinta vez do evento.
Para chegar a Belém, onde a FAC ocorre, Alexandre enfrenta 12 horas de barco. “É uma oportunidade de ampliar nosso trabalho, levando a um público maior”, explica Alexandre, justificando que vale a pena os desafios enfrentados. “Queria contar uma experiência que tive durante uma das feiras, uma criança autista teve primeiro contato com instrumentos musicais em meu stand e os pais ficaram surpresos, nos anos seguintes eles voltaram a nos visitar”, conta o artesão, ao destacar a importância de estar na Feira.
Alexandre também destaca o valor financeiro e o potencial de divulgação do evento. “A FAC é ponte entre os produtos dos artesãos e o resto do mundo, já que vem pessoas de todos os lugares para o Círio. Na última Feira vendi para alemães, suecos, entre outras nacionalidades. Nosso produto entra no radar mundial”, pontua o empreendedor, que já expôs o trabalho em vários estados como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Brasília, e até mesmo no exterior, divulgando a arte na Itália..
Para a edição comemorativa pelos 10 anos de FAC, em 2022, o paraense, prepara cerca de 600 peças, e tem a expectativa de faturar em torno de 7 mil reais. Entre as peças, novidades: “O Teretetê, instrumento feito de sobras da tampa de ouriço. O instrumento tem som diferenciado, que se assemelha a um chocalho sem agudo e se encaixa em ritmos como carimbó, samba e pagode.
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