A arte centenária de transformar o miriti em peças artesanais atravessa gerações no município de Abaetetuba, nordeste paraense. Reconhecida como a Capital Mundial do Brinquedo de Miriti, a cidade reúne artesãos e artesãs que produzem brinquedos, esculturas, peças decorativas e artigos religiosos a partir da fibra da palmeira. A tradição, transmitida de pais para filhos, envolve centenas de famílias, e representa uma das principais expressões da cultura paraense.
Neste Dia dos Pais, celebrado neste domingo (09), a história do artesão José Roberto Ferreira, o Mestre Beto, mostra como esse legado familiar continua vivo. Há décadas dedicado ao ofício, ele ensinou a arte do miriti aos dois filhos para preservar uma tradição que já chega à quarta geração da família.
“Sou nascido e criado em Abaetetuba e aprendi a fazer os objetos de miriti com meus pais. Essa tradição existe há 84 anos na minha família e tenho muito orgulho disso. Posso dizer que nasci artesão, porque tenho contato com o miriti desde os seis anos de idade”, conta. Ele também destaca a influência do tio, Mestre Xanda, em sua formação como artesão e o apoio da esposa, Marilda Rodrigues Barbosa, durante os anos como artesão.
Segundo Mestre Beto, a produção de peças em miriti sempre fez parte da história da família. Desde cedo, ele repassou os conhecimentos aos filhos, José Rodrigo Ferreira, de 24 anos, e Maíra Barbosa Ferreira, de 22 anos.
“Como essa é uma tradição da nossa família, meus filhos também precisavam conhecer o artesanato em miriti. Comecei a ensiná-los ainda crianças. Eles iniciaram fazendo a pintura e a lixação das peças e, aos poucos, passaram a confeccionar os próprios trabalhos”, afirma. Hoje, o artesão mantém um ateliê em casa e se prepara para inaugurar a primeira loja física para comercializar as peças.

Legado
Formado em Engenharia Mecânica, José Rodrigo Ferreira conta que sente orgulho da história construída pela família e lembra que o artesanato foi a atividade que garantiu o sustento da casa durante muitos anos.
“Aprender o artesanato em miriti com meu pai foi muito mais do que adquirir uma profissão. Foi receber um legado que vem do meu avô e faz parte da história da nossa família. Cresci dentro do ateliê, acompanhando cada etapa do trabalho, e hoje sinto orgulho de ajudar a manter viva essa tradição que atravessa gerações”, afirma.
O sentimento é compartilhado pela irmã, Maíra Barbosa Ferreira, estudante de Educação Física, que também aprendeu a produzir peças em miriti com o pai.
“Cresci vendo meus pais transformarem a fibra em arte e, naturalmente, quis fazer parte desse universo. Comecei pintando as peças ao lado da minha mãe e, com o tempo, fui aperfeiçoando meu trabalho. Hoje, poder ajudar meu pai e manter viva essa tradição da nossa família é motivo de muito orgulho”, explica.
No Dia dos Pais, Mestre Beto destaca a importância de preservar o legado dos mestres do miriti e garantir que esse conhecimento continue sendo transmitido às futuras gerações.
“Mesmo que eles sigam outros caminhos profissionais, foi muito importante conhecerem essa tradição da nossa família. Tenho certeza de que esse aprendizado também contribuirá para a profissão deles. Precisamos manter viva essa arte”, conclui.

