Ao longo da vida, os caminhos para o empreendedorismo podem surgir de diferentes formas: com o início de uma atividade ainda na juventude, a venda de produtos ou a identificação de novas oportunidades de negócio. Foi nessa jornada que a empreendedora paraense Adrianne Mescouto encontrou não apenas uma fonte de renda, mas também um propósito profissional.
Com espírito empreendedor desde cedo, Adrianne sempre esteve ligada ao comércio. A vontade de trabalhar por conta própria e buscar novas oportunidades esteve presente desde a adolescência. “Era algo que bata muito forte no meu coração. Desde os 14 anos eu já via oportunidades para ter uma renda. Vendia chopp, comidas típicas, bijuterias e bombons regionais. Dessa forma, conseguia ter uma renda no final do mês”, relembra.
Apesar de complementar a renda com as próprias vendas, Adrianne precisou interromper temporariamente as atividades como empreendedora para ingressar no mercado de trabalho formal. Com dois filhos para criar e sendo a única responsável pelo sustento da família, passou a atuar no serviço público, onde permaneceu por oito anos.
Foi nesse período que conheceu o esposo, que já trabalhava nos processos de produção de farinha. A experiência do marido, somada ao desejo de Adrianne de voltar a empreender, deu origem à marca “O Rei da Farinha”.
Sem capital para investir no início, o casal enfrentou desafios para consolidar o negócio. Um dos períodos mais difíceis foi a pandemia de Covid-19, que exigiu mudanças na forma de comercialização dos produtos. “Foi necessário adaptar e criar meios para vender com o mínimo de contato com os clientes. Foi aí que iniciamos o delivery, em que os clientes faziam os pedidos e nós entregávamos em suas residências”, conta Adrianne.

Crescimento e espaço no mercado
Com o passar do tempo, o negócio ampliou a produção e passou a desenvolver produtos diferenciados, como farofas com fibras e castanhas, além de opções sem conservantes e corantes. O crescimento da empresa também trouxe novos desafios. Com o aumento da produção e da demanda por mão de obra, foi necessário aprimorar a organização e a gestão do negócio.
“Nós crescemos, mas não acompanhamos esse crescimento. Eu me perdi no meio do caminho. Quando o negócio começou a crescer, eu já não sabia mais como lidar com fluxo de caixa, gestão e capacitação. Eu não sabia como resolver as coisas e quase desisti”, relembra.
Foi nesse momento que Adrianne buscou o apoio do Sebrae no Pará para fortalecer a gestão e preparar a equipe. “O Sebrae me ofereceu consultorias e capacitações que se estenderam também aos meus colaboradores. Isso é muito importante. Participamos de cursos de atendimento ao público e outras oficinas que agregaram muito valor ao nosso trabalho. Hoje, eles têm mais segurança e um desempenho melhor no atendimento aos clientes, e eu também me sinto mais preparada como administradora”, afirma.
Atualmente, a marca vem ampliando espaço no mercado paraense e mantém unidades fixas em Belém. Para Adrianne, o diferencial do negócio está na combinação entre o conhecimento tradicional sobre a produção da farinha e a busca constante por inovação.
“Nosso diferencial é muito grande porque temos farinhas exclusivas. Isso vem de todo o conhecimento que meu esposo adquiriu, desde o plantio até a fabricação. E juntamos isso com a minha ousadia, a vontade de crescer e a coragem de fazer”, finaliza ela.

