O Sebrae no Pará realizou nesta sexta-feira (20), na sede da instituição, em Belém, o segundo ciclo formativo de letramento racial, reunindo especialistas, representantes de instituições públicas e lideranças para debater a promoção da equidade racial na instituição, com transmissão online para as regionais.
A iniciativa integra as ações do Pacto Interinstitucional Pró-Equidade Racial, idealizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE/PA), que reúne mais de 60 instituições públicas e privadas no estado. O pacto tem como objetivo fortalecer a atuação em rede para o enfrentamento do racismo estrutural no Pará.
“A pluralidade é um dos nossos eixos de atuação, ao lado da sustentabilidade e da inovação. Por isso, iniciativas como esta reforçam, na prática, o compromisso do Sebrae com um dos nossos principais pilares. Ao promover esse debate, contribuímos para a construção de ambientes institucionais mais conscientes, inclusivos e preparados para lidar com a diversidade racial”, destacou o diretor-superintendente do Sebrae/PA, Rubens Magno, que fez a abertura dos trabalhos, destacando que a capacitação alcançou cerca de 300 colaboradores da instituição.
“Nós estamos realizando diversas ações voltadas ao empreendedorismo negro em todo o estado, mas também ao empreendedorismo indígena e quilombola”, completou a diretora técnica do Sebrae/PA, Domingas Ribeiro, que também participou do evento.

O evento também foi alusivo ao Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, celebrado neste sábado (21), reforçando a importância da reflexão e do compromisso institucional com a pauta.
A programação teve como destaque a palestra magna da professora doutora Eunice Prudente, que abordou os desafios históricos do racismo no Brasil e a necessidade de ampliar o letramento racial como ferramenta de transformação social. Durante sua fala, a especialista ressaltou a importância de políticas públicas e iniciativas institucionais comprometidas com a inclusão e a justiça social.
“O momento que vivemos é histórico: o mundo corporativo começa, de fato, a abraçar a justiça social. A igualdade prevista na lei só se concretiza por meio da equidade, e isso exige reconhecer que os brasileiros tiveram trajetórias diferentes. Iniciativas como o letramento racial ajudam justamente a revisitar essas desigualdades e corrigi-las”, ressaltou a professora aos colabores do Sebrae/PA.
Coordenador do Programa Plural do Sebrae/PA, Alexandre Alves, destacou ações voltadas ao fortalecimento do afroempreendedorismo, com ênfase no programa que incentiva a inclusão produtiva e o protagonismo de empreendedores negros no mercado.
“Dentro do Programa Plural, o Sebrae realiza diversas ações como cursos, capacitações e eventos para fomentar o empreendedorismos afro, indígena e quilombola no estado. Em 2025 , esses empreendedores participaram de diversas ações como a Feira de Artesanato do Círio, Semana do MEI e o MECA, que teve um dia dedicado ao afroempreendedorismo”, disse Alexandre, que apresentou o case de sucesso do empreendedor Romário Neves.

A iniciativa reforçou o papel do Sebrae/PA como articulador de pautas estratégicas para o desenvolvimento sustentável, ao promover o diálogo sobre diversidade, inclusão e inovação no ambiente de negócios. “Sou negra e empreendedora, e o Sebrae faz toda diferença na minha vida, pois me ajudou a definir e me encontrar enquanto mulher negra empreendedora. Isso aconteceu por meio dos grupos de letramento racial, que me colocaram no lugar de fala. Me sinto empoderada”, disse a empreendedora Ana Cardoso, que está frente do restaurante Ilha do Combu.
Ainda na oportunidade, a professora Ana Cláudia Neves, diretora da diversidade e inclusão da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), apresentou ações de letramento para estudantes, professores e servidores da instituição. Já o servidores da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará (Sefa), Ana Cláudia Viana e Paulo Victor Squires, também falaram das ações da instituição sobre essa temática como o censo étnico-social dos servidores e do atual concurso público para instituição com cota para negros.
O encontro também contou com a participação do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com a promotora de Justiça Lilian Braga, que apresentou iniciativas voltadas à valorização da diversidade e ao enfrentamento das desigualdades raciais no serviço público.

