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A biodiversidade da Amazônia representada no artesanato da FAC

Periquitos, papagaios, araras, onças, cobras, peixes são retratadas em várias peças e em diferentes técnicas por artesãos que valorizam a rica fauna amazônica
Por Da Redação
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O artesanato é uma das formas de retratar a riqueza de animais que existem na Amazônia. A biodiversidade é uma fonte de inspiração para artistas que, em diferentes técnicas e materiais, são capazes de produzir pinturas e esculturas de aves, serpentes, felinos, peixes, anfíbios e até personagens como a Garça Namoradeira e o Malandro Urubu. A 14ª Feira de Artesanato do Círio (FAC) é uma vitrine para conhecer trabalhos únicos com essa temática, além de ser uma porta para conhecer espécies.

No estande 10, o mestre artesão Paulo Baía, da Balata Artesanato, tem uma coleção variada de espécies animais da Amazônia, retratadas com a técnica que dá nome ao negócio dele. Das 500 peças trazidas para a FAC, vendeu mais da metade a três dias de encerrar a feira.

“Meu pai era balateiro e fazia algumas representações de animais. Aprendi aos 12 anos com ele. Tento preservar as cores dos bichos que eu faço. A Amazônia é uma boa fonte de inspiração pela variedade, pelas cores e formatos. Estou na FAC desde a primeira edição com esse trabalho, que usa como insumo o leite da árvore balateira, que só cresce do lado direito do rio Amazonas e só dá para extrair de janeiro a junho”, conta mestre Paulo Baía.

Mestre Paulo Baía aposta em animais feitos de balata. Foto: Carlos Borges.

Artesanato em miriti tem forte inspiração na biodiversidade da Amazônia

Os brinquedos de miriti são exemplos de como a biodiversidade amazônica inspira artesãos, como dona Maria Elita de Sá, empreendedora do ateliê Arte na Mão. E além da fauna silvestre, com botos, araras, papagaios e onças, algo bem característico do Círio e do Ver-o-Peso, em Belém, está nas obras que ela trouxe para a FAC: patos em paneiros, que é como a ave costuma ser vendida para o preparo do pato no tucupi.

“A natureza é linda, diversa e é uma grande inspiração para quem faz artesanato. Cada figura é esculpida após uma boa pesquisa para conhecer o animal, as cores e traços. Os botos são algumas das peças mais novas, mas sempre estamos renovando a forma de homenagear a biodiversidade. Já vendi mais 75% do que trouxe e não importa o tamanho”, comentou a artesã Maria Elita, no estande 232 e mostrando uma serpente de miriti que é maior que ela mesma.

Respeito e conscientização

No espaço Mundo Amazônia da FAC, Everaldo Munduruku expõe artesanato indígena ancestral, com acessórios e peças decorativas que retratam os animais que fazem parte do dia a dia da etnia dele. Mas essas peças trazem um simbolismo filosófico, que envolve admiração, respeito e um propósito de vida do povo Munduruku. E assim ele traz representações de cobras, jabutis, onças e aves.

“Tudo que é belo é perigoso. Quando admiramos um animal, precisamos saber respeitar a beleza e o espaço deles. Nós retratamos os animais e a beleza deles no artesanato, que é passado de geração em geração, junto com a missão de vida de preservar a natureza. Meus filhos e netos já estão fazendo artesanato. Assim como aprendi com meus pais a arte ancestral”, finaliza Everaldo Munduruku.

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