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A porteira sempre aberta da Fazenda Mironga, no município de Soure, na ilha do Marajó, leva os visitantes a conhecer e experimentar um produto que há mais de 250 anos gera renda para habitantes da maior ilha fluviomarítma do mundo: o queijo do Marajó. A iguaria tradicional ganhou ainda mais visibilidade e valor no mercado após a conquista da Indicação Geográfica (IG), o que também ocorreu o cacau de Tomé-Açu e a farinha de Bragança, de outras regiões paraenses.

Cada um desses produtos tem um selo de identificação que os destaca e diferencia, reconhecendo a vinculação com sua origem e facilitando a identificação por consumidores e pelo público em geral e favorecendo a promoção desses produtos no mercado regional, nacional e até fora do Brasil.

No caso do queijo do Marajó, os reflexos positivos já são percebidos nos municípios de abrangência da IG, que são Chaves, Cachoeira do Arari, Muaná, Ponta de Pedras, Santa Cruz do Arari, Salvaterra e Soure. Com a IG.

“A procura pelo produto aumentou após a IG. Existe uma relação da qualidade com a origem. A gastronomia foi a grande facilitadora, pois muitos restaurantes em Belém querem usar o queijo de búfala, além de pastelarias e hamburguerias”, informa a presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQM), Gabriela Gouvêa. A associação foi a depositária do pedido de IG para o queijo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que concede os registros no Brasil, e é responsável pela gestão da IG.

Queijo do Marajó

Do Brasil para o Japão

O primeiro produto paraense a receber o registro de Indicação Geográfica foi o cacau de Tomé-Açu, em 2019. O grande diferencial do produto se deve pela forma como é cultivado, através da tecnologia Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA), um modelo exclusivo de agricultura sustentável na Amazônia, desenvolvido pela comunidade nipo-brasileira. Ele faz com que o cacau cresça em um ambiente que simula o de uma floresta nativa e ainda seja produzido de forma sustentável.

A IG abriu o mercado internacional para o produto. O primeiro lote de amêndoas de cacau com o selo foi enviado para o Japão em julho do ano passado, e foi um marco na importante conquista dos produtores da região. Foram enviadas 25 toneladas, o que rendeu cerca de 35 mil dólares para a cooperativa. “O mercado japonês gosta de saber de onde vem o produto, para nós é a maior alegria e orgulho representar o estado do Pará”, diz Alberto Ke-Iti Oppata, presidente da CAMTA.

Uma outra conquista internacional dos produtores também foi no Japão. Uma linha de chocolate produzida no país que utilizou 100% das amêndoas importadas do município paraense de Tomé-Açu, recebeu selo comemorativo das Olimpíadas de Tóquio, que ocorreram em 2021, no país do sol nascente. A Meiji, empresa que comercializa as amêndoas paraenses, utiliza como bandeira de qualidade o fato de se tratar do primeiro produto a receber o selo de Indicação Geográfica (IG) no Pará.

O chocolate comemorativo das Olimpíadas foi do tipo Bean To Bar – chocolates artesanais fabricados a partir dos grãos de cacau (amêndoas) da melhor qualidade, em uma produção mais natural, que aproveita melhor as propriedades desse insumo. Isso os diferencia dos chocolates industrializados, que são produzidos, na maioria das vezes, a partir da massa de cacau ou da remoldagem de chocolates já prontos.

Para o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, o fato de o talento e o conhecimento dos produtores de Tomé-Açu chegarem a terras tão distantes, é a prova incontestável da qualidade da amêndoa produzida no estado. “Isso nos dá muito orgulho e sentimento de conquista e gratidão. Ao oferecer um produto de qualidade que vai ter um nível internacional de exposição, só gera contentamento e inspiração para que o trabalho continue e seja cada vez melhor”, frisou o diretor, lembrando que em todos os processos de indicação geográfica no Pará o Sebrae foi protagonista, atuando junto com uma rede de parceiros.

A Associação Cultural e Fomento de Tomé Açu (ACTA) é a detentora do registo da IG, responsável por manter um conselho regulador que deve preservar, divulgar, proteger os produtos registrados, sua qualidade e procedência.

Mais valor para a farinha de cada dia

A farinha de Bragança é referência em qualidade desse ingrediente que não pode faltar na mesa do paraense. Com a conquista da Indicação Geográfica, o produto ganhou ainda mais notoriedade. O selo trouxe melhorias para a vida dos produtores de farinha da região e contribui para o desenvolvimento socioeconômico da área geográfica, pois estimula investimentos na própria zona de produção e aumenta a participação do produtor no ciclo de comercialização, além de contribuir para a preservação das características e de sua tipicidade.

A concessão da marca abrange o produto fabricado os municípios de Bragança, Tracuateua, Augusto Correa, Santa Luzia do Pará e Viseu, no nordeste paraense, que passou a ter reconhecimento no mercado pela sua procedência e pela tradição regional, não podendo seu nome ser usado por outros produtores. “O maior impacto é o reconhecimento da nossa produção, pois são muitos anos de caminhada e nem posso mensurar o valor dessa conquista. Ter nossa produção reconhecida já impacta diretamente nossas vidas, principalmente pelo fato de ser uma construção coletiva que incluiu vários municípios”, observa Giovani Martins, da Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares e Extrativistas dos Caetés – COOMAC.

A concessão da IG permite um aumento do valor agregado da farinha de Bragança, a preservação da tradição, assim como a valorização de quem produz.

ASN Pará - Agência Sebrae de Notícias Foto: Carlos Borges

Pará tem potencial para muitos produtos com IG
O selo de Indicação Geográfica é um registro que tem como principal objetivo a proteção de um produto tradicional, que, na maioria das vezes, é um saber tradicional da região. Com essa proteção, as imitações ficam mais complicadas e controladas, fazendo com que o consumidor tenha segurança em comprar o produto e garantindo a sua origem.
Para o empreendedor, o registro de IG pode, se bem trabalhado, gerar mais vendas e maior valor agregado ao produto e, com isso, maior renda para o empreendedor. Para o estado, entre outros pontos positivos, a valorização de produtos pode gerar fluxo turístico e notoriedade.
Todas as Indicações Geográficas que há no Pará são do tipo Indicação de Procedência. O estado tem potencial para que vários outros produtos conquistem o registro. “Quando há a demanda de produtores para descobrir se determinado produto tem potencial para Indicação Geográfica procedemos com uma metodologia própria de diagnóstico, que verifica, sob a luz de vários critérios utilizados pelo próprio INPI para concessão de selos, se o produto tem ou não potencial para obter o registro de Indicação Geográfica, explica o analista do Sebrae no Pará, Péricles Diniz, que integra o Fórum Estadual de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, que reúne várias entidades.
Atualmente, dois produtos foram diagnosticados com resultados positivos para Indicação Geográfica do tipo Indicação de Procedência: o Feijão Manteiguinha de Santarém e o Queijo de Bufála de Almeirim, esse também com potencial para Indicação de Procedência.
Em média, a obtenção do selo leva em torno de dois anos, mas isso pode variar de acordo com cada processo. Os principais itens observados são as evidências da notoriedade daquele produto ( que podem ser fotografias históricas, reportagens, livros, etc) ou, no caso da Denominação de Origem, pesquisas que comprovem que o meio ambiente influencia determinada propriedade específica daquele produto.

  • 25 toneladas cacau
  • 35 000 Dólares
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