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No Dia do Cinema Brasileiro, audiovisual abre oportunidades para empreendedores da Amazônia

Da floresta às telas, setor impulsiona pequenos negócios e amplia a visibilidade de histórias amazônicas
Por Bruno Magno
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Da locação de embarcações ao fornecimento de alimentação para equipes de filmagem, o cinema movimenta uma cadeia de pequenos negócios que cresce junto com o audiovisual na Amazônia.
Em uma região que reúne cenários naturais, diversidade cultural e histórias ainda pouco exploradas, empreendedores paraenses têm encontrado no setor uma oportunidade para ampliar mercados. No Dia do Cinema Brasileiro, celebrado nesta sexta-feira (19), o setor mostra que os impactos das produções vão além das telas.

Há mais de 10 anos à frente da produtora K Filmes, o empreendedor paraense Kleberson Santos conta que resolveu apostar na paixão pelo audiovisual para expandir o negócio. “A K Filmes nasceu da vontade de mostrar aquilo que eu sei fazer de melhor. Nunca me contentei em fazer apenas o básico ou em ser igual a todo mundo. Sempre tive o desejo de crescer, expandir e superar os meus próprios limites. A produtora surge justamente dessa busca constante por evolução e reinvenção”, explica ele, que conta com 10 colaboradores na equipe, entre jornalistas, cinegrafistas, editores de vídeo e produtores.

Para Kleberson, nos últimos anos, a região tem atraído cada vez mais produções interessadas em retratar a diversidade cultural, os modos de vida e as paisagens amazônicas. Segundo ele, conhecer a região foi fundamental para fazer com que o negócio desse certo.

“Temos uma longa experiência na produção documental, especialmente na Amazônia, que é o nosso território de atuação. Nossa forma de trabalhar busca proximidade, escuta e aprofundamento, criando uma relação de parceria entre os personagens e a equipe da produtora. É isso que torna cada projeto uma experiência tão enriquecedora”, destaca ele, que conduz a produtora ao lado da esposa, a jornalista Talita Iketani.

O empreendedor observa que produzir conteúdo audiovisual na Amazônia requer mais do que equipamentos e criatividade. A complexidade dos deslocamentos e as particularidades do clima tornam o planejamento uma etapa indispensável para o sucesso de cada projeto.

Equipe da produtora em externa. Foto: Arquivo pessoal.

“A pré-produção é fundamental. Na produtora trabalhamos com planejamento detalhado, equipamentos de contingência e uma estrutura preparada para lidar com imprevistos. Entender a logística, as condições climáticas e as particularidades de cada território é essencial para garantir uma produção ágil, segura e eficiente”, diz ele.

 Mercado crescente

Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que o audiovisual brasileiro vive um momento de forte expansão na produção. Em 2025, o setor registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos desembolsados, o maior volume da série histórica.

O montante representa crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% na comparação com 2021. O país também registrou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias em 2025, um novo recorde. Mais do que revelar cenários exuberantes, o audiovisual produzido na Amazônia contribui para dar visibilidade a talentos locais e fortalecer a economia criativa.

Segundo a analista técnica do Sebrae/PA, Nayany Costa, o setor audiovisual está em fase de crescimento no estado e pode ser uma ótima oportunidade para quem deseja empreender na área.

“O audiovisual é um dos segmentos mais dinâmicos da economia criativa porque reúne cultura, inovação, tecnologia e empreendedorismo. Cada produção movimenta uma ampla cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, gerando oportunidades para pequenos negócios em áreas como comunicação, design, fotografia, alimentação, hospedagem, transporte e logística”, explica.

“Na Amazônia, esse potencial é ainda mais significativo, porque o setor contribui não apenas para a geração de renda, mas também para a valorização da identidade cultural da região e para a projeção de histórias”, finaliza.

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