Tão comuns no dia a dia dos paraenses, as comidas típicas fazem parte da cultura gastronômica da região. Mas como tacacá, vatapá e maniçoba podem se transformar em um negócio diante de um mercado já consolidado? Foi essa questão que o Chef Darlan Claudino respondeu por meio da releitura de pratos, como a receita de nhoque de batata com creme de maniçoba, uma fusão entre a culinária paraense e italiana, apresentada nesta quinta-feira (28), no espaço Cozinha MEI, durante a Semana do MEI, realizada na sede do Sebrae/PA, em Belém.
O professor, que é formado na área gastronômica com cursos na Itália e Brasil, respondeu se ainda há espaço para novos empreendimentos no ramo. “Para a cozinha regional sempre vai ter espaço, principalmente para a cozinha regional de rua. Estou falando daquele microempreendedor que vai montar um negócio na garagem da sua casa, uma barraca ou até alugar um pequeno ponto para vender sua comida”, ressaltou.
Darlan acrescenta que o empreendedor que deseja empreender não pode simplesmente fazer o simples. “Não basta vender apenas um tacacá ou uma maniçoba”, disse. Segundo ele, um dos diferenciais para acertar na abertura de um negócio é conhecer o público que se deseja alcançar. “Vou pensar nos clientes que eu quero atingir. Posso fazer um tacacá vegetariano e já alcançar 20% ou 25% de clientes. Se eu vender um tacacá vegetariano, já estou pensando também na pessoa que é alérgica a frutos do mar. A oportunidade existe para todos, eu só não posso pensar em ser mais um fazendo a mesma coisa”, reforçou.

Outra dica importante, segundo o chef, é conhecer bem a localização onde o negócio será instalado. Os empreendedores devem ficar atentos a uma série de fatores. Um deles é a ficha técnica do produto, que ajuda a compreender os custos de produção e a precificação adequada. Além disso, embora muitos já tenham a habilidade prática de preparar os pratos, é necessário buscar conhecimento teórico para complementar a gestão do negócio. “É preciso investir em capacitações sobre marketing, precificação e outros temas que ajudam na construção e no crescimento da empresa”, destaca.
Amor pela cozinha paraense
Entre os participantes da oficina esteve a empreendedora Maria Irene Silva Ferreira, de 83 anos. Ela possui um negócio próximo à Unidade de Pronto Atendimento da Sacramenta, em Belém, e já conquistou uma clientela fiel. “Eles têm um carinho enorme por mim. São muitas pessoas para atender, todos os que me procuram”, contou ela.
Todos os dias, ela vende café da manhã, tacacá, vatapá, caruru e arroz paraense. Desde o início da Semana do MEI, tem aproveitado as capacitações para ampliar seus conhecimentos. “Eu adoro trabalhar com comida. Eu amo trabalhar com comida e vender”, finaliza.

