Ser sustentável do ponto de vista ambiental e social é característica que agrega valor a diferentes cadeias produtivas. Além de contribuírem com a floresta em pé e enfrentamento de mudanças climáticas, negócios pautados na sustentabilidade se tornaram catalisadores de transformações na vida de empreendedores. Saberes tradicionais são preservados e refinados com a profissionalização, gerando emprego e renda para várias famílias. A Feira de Artesanato do Círio (FAC), em Belém, é um espaço onde é possível conhecer pessoas dedicadas e apaixonadas por trabalhar em setores preocupados com o futuro do planeta.
No estande 243 da FAC, é possível conhecer um negócio que leva a sério o conceito de sustentabilidade. A Nativas Amazonic Biojoias usa alguns insumos que, por vezes, são descartados, como sementes de açaí e uma fibra do miriti que tem pouco valor agregado. E uma das novidades de Nazaré Pimentel e Nerissa Santos, mãe e filha, é um colar feito com casca da semente de andiroba, algo que não costuma ser usado após a extração da amêndoa para produção do óleo.
“Somos de Abaetetuba. A fibra de miriti pegamos com uma associação de mulheres do município. Temos uma propriedade onde produzimos em sistema agroecológico e extraímos tudo dentro de regras de manejo controlado”, comentaram Nazaré e Nerissa, mostrando as biojoias que podem ser conferidas no perfil @nativasamazonic_biojoias, no Instagram.
Da lavoura aos SAFs
Cleide Suk, é a fundadora da Chocolates Suk (@chocolatessuk, no Instagram), de Brasil Novo, sudoeste do Pará. Ela e outras quatro mulheres, que foram atendidas pelo projeto Sustenta & Inova, do Sebrae no Pará, viram suas vidas mudarem ao sair da venda direta de amêndoas de cacau para a produção de chocolates nobres cultivados em em Sistemas Agroflorestais (SAFs), que conferem sabores únicos e mais nutrientes. As empresas nasceram a partir de duas cooperativas, a Coopoxin, que faz a circulação das amêndoas de cacau e a Cepotx, que faz a venda. Há ainda outros produtos derivados do fruto, como mel de cacau, licores, nibs, achocolatado e cacau em pó.
“Hoje a Chocolates Suk trabalha com amêndoas orgânicas e usa sabores de outras frutas, produzindo sabor, nutrição e saúde e respeitando a floresta. Temos chocolates com gengibre, cupuaçu, semente de abóbora, castanha e camu-camu, uma fruta da beira do Xingu que é colhida por ribeirinhos e tem 100 vezes mais vitamina C que um limão. Participar do projeto Sustenta & Inova do Sebrae, profissionalizar, abrir os negócios mudou as vidas de cada mulher, que fundaram as marcas Frutuoso”, conta Cleide.

Sustenta & Inova: fortalecendo saberes tradicionais
O projeto Sustenta & Inova, do Sebrae/PA é financiado pela União Europeia há cinco anos. Chegando ao estágio final, com produtos dos negócios gerados sendo apresentados para comercialização na FAC. Alguns resultados já estão no mercado e ajudaram a transformar a vida de famílias das regiões do Marajó (artesanato, roupas marajoara, biojoias, moda casa, licores), Xingu (chocolates e produtos de cacau de lavouras certificadas) e Capim (mel e chocolates).
Cerca de 4 mil famílias da agricultura familiar foram atendidas pelo projeto, que tem a meta de inserção comercial de 20 a 30 negócios, por território, até dezembro deste ano. O Sustenta & Inova tenta preservar saberes tradicionais; fortalecer negócios com conhecimentos e capacitações em empreendedorismo; e diminuir impactos ambientais, estimulando o reflorestamento e produção com práticas sustentáveis. As famílias atendidas apontam aumento da produção do faturamento também, como explica Paula Viviane Couceiro, analista do Sebrae/PA e coordenadora do projeto.
“As famílias detinham técnicas e saberes, mas não conseguiam vender. O primeiro passo foi fazê-las se enxergarem como empreendedoras de negócios da biodiversidade e sustentáveis. Eles aprenderam técnicas de venda, mercado, gestão e formação de produtos feitos do trabalho de pessoas cuidam da biodiversidade e se preocupam com o meio ambiente, agora sendo apresentados na FAC”, explicou Paula.
O projeto é feito em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) Fundação Arthur Bernardes (Funarbe). As ações já escalaram e tiveram impactos para fora do projeto, em nível municipal e estadual, com a formação de políticas públicas.

