Empreender pode ser um sonho planejado ou alternativa diante de incertezas financeiras. Angela Reis e suas três filhas, Adriane, Jéssica e Jeovana Correa, conhecem muito bem esse segundo caminho. Por causa de uma tragédia na família, com o naufrágio do barco de pesca do esposo, perderam a única fonte de renda, em 2015.
Na crise, mãe e filhas decidiram conectar experiência, tradição e determinação para empreender. “Unimos nosso coletivo de mãe e filhas e decidimos iniciar a venda de acessórios”, lembra Jeovana. Nascia, a Eco Arte Biojoias, que utiliza insumos da Amazônia associados a técnicas artesanais, como macramê, que Angela repassou para as filhas.
Cada biojoia artesanal é produzida com sementes amazônicas como jarina, açaí e paxiúba. Jeovana destaca a preocupação com a qualidade das peças. “Foco no “acabamento e na qualidade, para que os produtos tenham uma excelente durabilidade”.
O caminho foi desafiador para montar o coletivo e fechar negócios. “Dependíamos muito da participação em feiras de economia criativa para a venda dos produtos, pois não tínhamos ainda um ponto fixo. Além dos altos e baixos de conciliar com outras atividades e preparar estratégias para promover os produtos e a marca”.
A solução para um desses desafios veio a conquista de espaço para a Eco Arte Biojoias na Feira de Artesanato da Praça da República, em Belém, ponto forte para a consolidação da marca.
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Apoio e crescimento
Não bastava ter produto de qualidade e vender. Com o tempo, as empreendedoras perceberam que precisavam de apoio qualificado. “O Sebrae tem sido essencial na nossa jornada, apoiando desde a regularização como MEI até a profissionalização do negócio. Participamos de feiras, como a realizada na Semana do MEI e a FAC (Feira de Artesanato do Círio), que ampliaram nossa visibilidade e geraram contatos valiosos”.
O trabalho familiar que começou de uma necessidade alcançou novos patamares ao representar a economia criativa do estado durante a COP 30, em 2025.
Atualmente, a marca vem inovando com a produção de peças que trazem memórias de renovação. “Começamos a trabalhar com as escamas de pescada amarela, coletadas diretamente pelo meu pai durante a pesca no mar, beneficiadas pelo coletivo e posteriormente transformadas em biojoias”, explica Jeovana, enfatizando outra conquista, que foi o pai já estar de volta ao trabalho com a pesca.
