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Artesã transforma elementos culturais de Vigia em peças que valorizam a identidade paraense

Com três décadas de experiência, Marilda Barata encontrou no empreendedorismo uma forma de preservar e divulgar a história e as tradições do município
Por Da Redação
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A cultura pode ser muito mais do que uma fonte de inspiração para o artesanato. Ela também representa identidade, ancestralidade e pertencimento, elementos que podem fazer a diferença na construção de um empreendimento. No Dia Nacional da Cultura, celebrando nesta quinta-feira (05), vamos conhecer a história da artesã Marilda Barata. Natural de Vigia, nordeste paraense, ela encontrou no empreendedorismo uma oportunidade de levar a cultura do município para além das fronteiras locais.

Artesã desde os 12 anos, Marilda aprendeu com a família os primeiros pontos de crochê e os fundamentos do artesanato. Na época, a atividade era apenas um passatempo, sem pretensões comerciais. A profissionalização veio anos depois, quando precisou encontrar uma alternativa para garantir o sustento da família.

“Comecei a fazer crochê ainda na adolescência, apenas por prazer. Não tinha pretensão de vender. Fui crescendo e o artesanato me acompanhando. Antes de empreender nessa área, trabalhei como balconista em uma farmácia e também como funcionária da prefeitura”, conta.

A mudança aconteceu durante a maternidade. “Quando engravidei, não pude mais sair de casa, mas precisava de uma renda. Foi então que percebi que o artesanato poderia ser uma fonte de sustento. Passei a comercializar meus trabalhos e consegui sustentar minha família com as peças que produzia e as aulas de pintura em tecido que ministrava na área da casa da minha mãe”, relembra.

Com o tempo, Marilda conquistou reconhecimento em Vigia pelo trabalho artesanal e pelas aulas de pintura em tecido. A experiência deu origem ao Ateliê Marilda Barata, empreendimento que reúne diferentes técnicas e tem a cultura local como uma de suas principais referências.

Entre as criações estão amigurumis de figuras religiosas, como Nossa Senhora de Nazaré, e bordados à mão livre que retratam elementos característicos de Vigia, como os tradicionais azulejos e paisagens da orla do município. A artesã também produz representações dos popopôs, nome popular das embarcações tradicionais da região.

Recomeço pelas mãos

A trajetória de Marilda também é marcada por um momento de profunda dor. Há oito anos, a perda de um filho abalou sua vida pessoal e profissional, afastando-a temporariamente da atividade que sempre amou. “Perdi um filho há oito anos e, com isso, perdi todo o sentido da vida. Embora tivesse outro filho, que cuidou muito de mim, no início fiquei sem vontade de trabalhar naquilo que tanto amava”, relata.

Município de Vigia de Nazaré é inspiração para empreendedora. Foto: Arquivo pessoal.

Aos poucos, o artesanato voltou a ocupar espaço em sua rotina. O trabalho no ateliê tornou-se uma maneira de enfrentar o luto e recuperar o ânimo. “Senti a necessidade de ocupar minha mente e meu tempo. Também me lembrei de que meu filho amava o que eu fazia, então voltei aos poucos a trabalhar com minhas artes. Preenchi meu tempo ocioso, comecei a postar no Instagram e veio uma chuva de bênçãos e encomendas. Desde então, não fico um mês sem receber pedidos”, conta.

Cultura como identidade e oportunidade

Com cerca de 30 anos de experiência no artesanato, Marilda compreendeu que suas criações poderiam ir além da produção de objetos decorativos e acessórios. Cada peça passou a carregar referências da história, dos costumes e das paisagens de Vigia, transformando o trabalho artesanal em uma forma de valorização da identidade cultural do município.

A participação na vida cultural da cidade também contribui para esse propósito. “Faço parte do grupo cultural do meu município, participo das feiras de artesanato e frequento palestras relacionadas à cultura”, afirma.

Nesse percurso, o Sebrae no Pará teve papel importante na qualificação e no desenvolvimento profissional da artesã. “Foi um divisor de águas na minha jornada. Trabalhei na Casa do Empreendedor como atendente e, como artesã, participo de cursos, oficinas e qualificações direcionadas aos profissionais do meu município. Posso dizer que a inovação e os avanços que conquistei na minha vida profissional vieram também por meio do Sebrae, que me qualificou e me fez enxergar novos horizontes”, destaca.

Em 2025, Marilda foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), no Pará, com o projeto “Bordando o Conceito e Identidade de Vigia”. A iniciativa representou mais um passo na consolidação de seu trabalho como expressão da memória e da identidade local.

“Foi um marco na minha história, pois transmitir a cultura e a história do meu município por meio das minhas mãos, com linhas e tecidos, me enche de orgulho. Posso dizer que respiro cultura nas minhas artes”, conclui.

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