Nesta quarta-feira (19), é celebrado o Dia da Artesã e do Artesão. Jéssica Santos é uma das mulheres que produz peças que valorizam a nossa cultura, com criatividade e autenticidade.
Desde cedo, ela soube que queria construir algo significativo e que gerasse impacto positivo na vida das pessoas. Nascida em Abaetetuba, no Estado do Pará, e vinda de uma família de artesãos, aos 34 anos ela fundou o Grupo Mulheres de Fibra, que reúne 15 artesãs na produção de peças sustentáveis feitas a partir da fibra da bananeira. Entre os produtos criados pelo grupo estão agendas, abanadores, chaveiros, cestas, bolsas, quadros decorativos, cachepôs, biojoias e adereços de crochê, entre outros.
O projeto envolve mulheres da comunidade Arienga-Rio, localizada entre os municípios Abaetetuba e Barcarena, promovendo um tipo de artesanato inovador e sustentável. A extração da fibra da bananeira não apenas resulta em peças únicas, mas também contribui para a preservação ambiental.
Todo caminho de sucesso exige a plantação de boas sementes. Para Jessica, o Grupo Mulheres de Fibra nasceu de um momento de desafio. Durante a pandemia, ela enfrentou uma crise de ansiedade e encontrou no projeto um refúgio e uma nova motivação. “Eu queria me fortalecer, pois estava passando por um momento difícil, de ansiedade. Eu precisava de apoio e no projeto eu encontrei esse apoio”, desabafa.
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Mulheres que transformam realidades
Além do apoio das amigas, Jessica encontrou inspiração em sua fé em Deus, que se tornou fonte de criatividade e a ajudou na consolidação do projeto. Ela também entende que ser mulher lhe dá a facilidade de continuar empreendendo, pois representa a essência da força, e as Mulheres de Fibra são a energia necessária para transformar a realidade de outras mulheres da sua comunidade, além de se tornarem referência no mercado.
Ela equilibra vida pessoal e profissional com o propósito de ser um ponto de apoio para outras empreendedoras. “Meu maior orgulho como empreendedora é poder ajudar outras mulheres a crescerem junto comigo”, destaca. Para ela, a independência financeira e o empreendedorismo são ferramentas poderosas de transformação.
Uma peça-chave no crescimento do projeto foi a pesquisadora Edicleia Gutierrez, da ONG Vital, que apresentou ao grupo um estudo sobre o uso da fibra da bananeira. Juntas, elas testaram o material e aprimoraram as técnicas de produção, o que levou o grupo a novos patamares.
O apoio do Sebrae no Pará também foi fundamental, ao oferecer cursos, mentorias e conexões estratégicas para o fortalecimento do grupo. “O Sebrae foi essencial na minha jornada, me ajudando com conhecimento e impulsionando meu empreendimento”, reconhece Jessica.
Outra parceria importante é com o Instituto Piabirá, que auxilia no cultivo da bananeira. Foi implantado um sistema agroflorestal, permitindo que as artesãs não apenas extraiam a fibra, mas também cultivem a fruta para venda, ampliando sua atuação para o setor alimentício. A expectativa é que, no futuro, o grupo passe a produzir geleias, bolos e doces.
Novos horizontes
Hoje, o grupo segue expandindo suas atividades e impactando mais mulheres. Além do artesanato, estão desenvolvendo um processo de fabricação de papel a partir da fibra, atualmente em fase de aperfeiçoamento.
Para outras mulheres que desejam empreender, Jessica dá um conselho simples, mas poderoso: “Não tenham medo de dar o primeiro passo. O importante é começar”.