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Ícones paraenses inspiram artesãos e criam memória afetiva

Artesãos materializam a cultura paraense em artigos decorativos, bijuterias e outros objetos que são a cara do estado.
Por Da Redação
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A arquitetura, as manifestações folclóricas, lugares de Belém… tudo pode servir de inspiração para os artesãos criarem peças capazes de remeter qualquer paraense a momentos importantes de sua vida. Na Feira de Artesanato do Círio, promovida pelo Sebrae até quarta-feira (15), no Parque Urbano Belém Porto Futuro, é possível encontrar uma diversidade de produtos, como colares e brincos inspirados na arquitetura “raio que o parta”, quadros com a identidade visual das placas de identificação de ruas e até ímãs com as linhas de ônibus que circulam pela Região Metropolitana de Belém.

Formada em publicidade, a artesã Ana Paula Rosário, da Chuva de Cor, resolveu colocar a sua criatividade a serviço do artesanato em 2020, ainda durante a pandemia de covid-19. Em sua quarta participação na FAC, ela trouxe ícones do imaginário paraense moldados em “cerâmica plástica”, dando forma a acessórios como brincos, colares e pulseiras inspirados nas aparelhagens, na natureza e na arquitetura raio que o parta, um estilo que surgiu da criatividade e espontaneidade de pedreiros e mestres de obras, que reaproveitavam azulejos quebrados para formar mosaicos em forma de raios, triângulos e bumerangues para enfeitar as fachadas das casas, entre as décadas de 40 e 60 do século passado.

A publicitária e artesã Ana Paula Rosário, da Chuva de Cor, cria bijuterias com ícones do nosso cotidiano.

“Como eu trabalho com acessórios, (o meu objetivo é) trazer a nossa cultura, a vivência na nossa cidade para o centro da moda, para que a pessoa pegue aqueles elementos e leve para o dia a dia dela, ou no trabalho, ou no passeio. Então, eu tenho coleções inspiradas no estilo arquitetônico “raio que o parta”, na Belle Époque, em músicas da Dona Onete… Esses elementos que tornam a gente único, que fazem parte muito forte da nossa identidade enquanto povo e isso realmente gera um impacto nas pessoas. Elas se encantam e se apropriam disso para usar no seu dia a dia. Até também o próprio turista”, diz Ana Paula.

No intuito de valorizar as memórias afetivas de quem mora ou já visitou Belém, o casal Ane e Andrei Loureiro, que são formados em artes visuais, usaram seus talentos para fundar o Lilo Ateliê. Ímãs no formato dos ônibus que circulam na Região Metropolitana e placas com as gírias e os bairros da Grande Belém são os artigos mais disputados no estande.

Ane conta que o casal começou a empreender em 2023, já na temática paraense. “Nós começamos a empreender justamente porque nós vimos a necessidade desse pertencimento e a gente viu que pós COP as pessoas ficaram muito com esse sentimento”, relembra Ane.

“Muitas pessoas hoje em dia nem pegam mais ônibus, mas compram justamente pelo afeto. Já chegou a acontecer de pessoas pegarem o ônibus ou então o bairro e dizer: ‘Nossa, eu morei lá tantos anos” e acabar se emocionando”, revela.

Rosa Maneschy comprou placas com gírias paraenses no estande do Lilo Ateliê.

A secretária-executiva Rosa Maneschy estava passeando pelos corredores lotados da FAC, quando se deparou com o box da Lilo e resolveu comprar as placas com as gírias paraenses. “Demonstra um pouco do nosso Pará. A feira é a cara do Pará. Eu tenho maior orgulho de ser paraense, adoro essa feira. Acho que ela é super bem representada pela gente”, diz ela.

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